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    O louvor que chega ao trono da graça - CPAD

    By Editor | Maio 20, 2008

    Leitura Bíblica em Classe
    Sl 33.1-14

    Introdução:

    I. O que é o cântico congregacional

    II. Os fundamentos da música sacra

    III. A música no cristianismo primitivo

    Conclusão:

    Título deste subsídio: A mordomia da adoração

    Autor deste comentário: Pr. Elienai Cabral

    Palavras-chaves:Adoração; Louvor; Mordomia; Reverência.

    Introdução

    A mordomia da adoração se constitui numa doutrina essencial na vida da igreja. Nesta lição trataremos do culto a Deus através da adoração, como a Bíblia nos ensina. Trataremos também da sua prática na vida cotidiana da igreja.  

    I. A MORDOMIA DA ADORAÇÃO A DEUS

    A primeira verdade da mordomia da adoração é que ela é um privilégio concedido ao povo salvo, para deste modo servi-lo. 

    1. O ato de adorar a Deus. O sentido mais forte de adoração é de atribuir valor ou mérito a um objeto ou pessoa. Na teologia bíblica não há espaço para adoração de coisas ou objetos. Existe uma palavra no hebraico bíblico histahawah que literalmente significa “curvar-se em humilde reverência e prostração”. Essa atitude indicava que todo israelita devia manter e administrar sua vida religiosa, como reconhecimento da soberania divina ( Gn 24.52; 2 Cr 7.3; 29.29). No Novo Testamento, o grego usa a palavra proskyneo e o sentido é o de “prostrar-se diante de alguém maior, ou de render homenagem”. Quando adoramos a Deus, estamos, na verdade, administrando nossa atitude e posição em relação a Ele.

    2. A igreja e a adoração a Deus. O texto de 1 Pe 2.4,5,9,10 indica que o crente em Jesus Cristo é conhecido primeiramente como adorador de Deus. O texto declara que exercemos um “sacerdócio santo” e como sacerdotes de Deus, os crentes O servem de duas maneiras: eles representam os homens diante de Deus e ao mesmo tempo que representam a Deus perante os homens. Num sentido especial, tudo o que a igreja faz e realiza na vida diária em obediência às Escrituras se constitui numa forma de adoração ( 2 Co 4.15; Rm 12.1; Hb 13.16).

    3. Aspectos da adoração. São vários os aspectos.. 

    a) Reverência. É em resumo: honrar, venerar, adorar. Um sentido mais prático é: “obedecer, acatar, respeitar”. O ato de adorar deve ser precedido pela obediência aos mandamentos de Deus. Porém, equivocadamente, a maioria dos cristãos entende que “reverenciar a Deus” refere-se apenas à postura física. Mais do que prostrar-se, colocar o rosto na terra, a autêntica reverência na adoração tem a ver com a atitude do coração. Jesus declarou que “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade”(Jo 4.24).

    b) Moral. Um crente não nasceu de novo para ser tornar um mero “contemplativo”, mas para ser ativo no serviço que enaltece e glorifica a Deus.

    c) Religioso. O próprio sentido da palavra “religião” indica a razão e de ser, e o procedimento do crente. O sentido latino de “religião” é re-ligare”, isto é, ligar outra vez. Por Jesus Cristo, todo o crente foi religado à comunhão com Deus, antes perdida. Nesse nível, o adorador conhece a Deus pela revelação pessoal  que Ele faz de Si mesmo, e em reconhecimento, o crente valoriza essa revelação.      

    II. RAZÕES PARA A ADORAÇÃO

    O homem foi criado com a capacidade de adorar ao Deus que o criou, de modo livre e espontâneo. Com a queda de Adão e Eva pelo pecado, esse senso de adoração, inerente à sua natureza religiosa, foi completamente desvirtuado. Mas Deus providenciou a restauração do homem consigo, mediante a revelação de Seu Filho Jesus. Foi o próprio Jesus quem proveu essa recuperação humana abrindo o caminho para a adoração ao Pai, revelando-O de modo especial.

    1. Revelação de Deus Pai. A Bíblia declara em Colossenses que Ele “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”( Cl 1.15). Jesus foi e é a expressa imagem desse Deus Grandioso que tornou-se conhecido através de seu Filho, o qual, sendo Deus, “humilhou-se a si mesmo”…”pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”( Fp 2.8). Jesus revelou o Pai a todos os homens. 

    2. Presença de Deus. A adoração no Novo Testamento é uma resposta à presença de Deus em Cristo Jesus. Um dos nomes Jesus é “Emanuel” que quer dizer: “Deus conosco”. Deus se revela na pessoa de Cristo (Gl 4.8,9) por isso, podemos chamá-lo Pai ( Rm 8.15,16; Gl 4.6). 

    3. Poder de Deus. Um dos nomes de Deus “o Deus Todo-Poderoso”. 

    III. ASPECTOS E MODOS DA ADORAÇÃO CRISTÃ

    A Mordomia da adoração cristã requer uma administração racional, espiritual, dinâmica e disciplinada. A igreja está na terra como uma comunidade de adoração e o sentido da adoração está implícito na vida e missão da igreja no mundo. Os vários modos de adoração são identificados pelo foco da adoração conforme veremos a seguir.

    1. Administrando a adoração. Nesse sentido, a adoração envolve o passado, o presente e o futuro da fé cristã. Esses elementos do tempo são combinados através de fatos como:

                a) Pelas lembranças do passado. A memória da nossa historia de fé exerce um papel importante na adoração cristã. Temos facilidade para esquecer as bênçãos recebidas, mas quando trazemos à tona o que Deus já fez por nós numa atitude de adoração tornamos possível a presença divina na vida pessoal e coletiva da igreja. Alguns símbolos revividos através dos batismo por imersão e a participação na Santa Ceia se constituem em lembranças que motivam a nossa adoração. 

                b) Pela presença atual de Cristo. Sem dúvida, as lembranças aguçam nossa consciência e nos responsabilizam em termos de adoração a Deus. A presença de Deus em Cristo é algo real quando se dá lugar para Ele. O fazemos quando nos reunimos para cultuar a Ele de corpo presente e visível, pois a presença física da igreja num culto significa a presença de Cristo no seu corpo vivo, a igreja ( 1 Co 10.16-18). 

    2. A administração do Batismo em águas. O batismo em águas é parte essencial da adoração cristã. Sua doutrina existe para fortalecer a idéia de sepultamento da velha vida e o compromisso com a igreja. Pelo ato do batismo, não só confessamos fé em Cristo, mas ficamos mergulhados ( imersos) Nele (Mt 28.19,20; At 2.38,41). Portanto, quando ministramos o batismo de novas pessoas em águas, estamos promovendo a adoração cristã. 

    3. A administração da Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor é o modo mais singular e glorioso da adoração cristã. A última Ceia que Jesus partilhou com seus discípulos antes do calvário nos dá uma compreensão maior em relação à adoração cristã. A ultima ceia foi uma ceia pascal que fazia parte ainda da velha aliança (Lc 22.15). Mas Ele tomou a experiência pascal para instituir uma nova forma de adorar, lembrando o que Ele faria por todos na cruz do calvário. Quatro significados especiais: 

                a) Comunhão. A palavra grega koinonia representa plenamente o sentido da Ceia do Senhor (1 Co 10.16,17). Porém, a idéia básica de koinonia é “aquilo que é partilhado por um grupo em particular”. A igreja, quando se reúne para a Ceia do Senhor, na verdade, desenvolve uma forma de adoração que significa comunhão, fraternidade, participação da igreja num ato comum a todas as pessoas (1 Co 10.21). A comunhão é com o Senhor e com os irmãos. A participação do pão e do vinho por todos os que fazem parte do corpo de Cristo é uma forma especial de unidade com Ele. 

                b) Memorial ( Lc 22.19; 1 Co 11.24,25). Já falamos de lembrança e a Ceia do Senhor nada mais é do que lembrar a morte do Senhor Jesus e o seu significado para nós. Quando tomamos do pão e do vinho “em memória da sua morte” promovemos reflexão e compromisso com o Senhor. Assim como judeu lembra através da páscoa a sua libertação do Egito, assim também, a Ceia do Senhor lembra a libertação que tivemos mediante Jesus Cristo. 

                c) Proclamação  (1 Co 11.26). Quando administramos a Ceia do Senhor estamos, na verdade, proclamando o fruto da morte do Senhor. Esse ato de proclamação implica tornar conhecida a obra expiatória de Cristo, pela sua morte, derramamento do seu sangue e a sua vitória na ressurreição. Paulo deu ênfase na celebração da Ceia do Senhor à pregação da morte de Cristo. Na Ceia do Senhor conhecemos o significado da morte e o seu fruto salvifico ( 1 Co 9.14,16). O serviço que prestamos e fazemos na Ceia um procedimento de mordomia cristã, pois ministramos ao corpo de Cristo que é a sua igreja. 

    1. Administrando o culto a Deus.

    a)A leitura da Palavra. Hoje, a leitura individual com atitude de reverência produz paz interior e orientação espiritual para a vida cotidiana. A leitura pública ainda é um hábito positivo e indispensável aos cultos cristãos, como parte da adoração cristã. Na Bíblia, aprendemos que um dos maiores momentos de adoração ao Senhor ocorreu quando o sacerdote Esdras leu a Lei perante o povo (Ne 8.5,6).

    b)A pregação e o ensino da Palavra de Deus. Um verdadeiro culto de adoração a Deus não pode ficar sem ensino ou pregação bíblica. Através da exposição desta, o homem pode reconhecer Deus como seu único Senhor e Salvador. (II Cr 34.30-33).

    c) Os cânticos na adoração cristã. Uma maneira de expressarmos alegria, gratidão e desejo de comunhão com nosso Senhor é através dos hinos e cânticos espirituais (Sl 136; Sl 126.3). Os cânticos devem ser inspirados em música e letra com conteúdo suficiente para conduzir o povo de Deus à adoração (Ex 15.1-21).

    d) As orações na adoração cristã. Outro elemento importante na adoração a Deus é buscar a sua face em oração. É o meio de comunicação entre os santos e o Senhor. A oração deve ser sempre acompanhada de ações de graças a Deus. O Novo Testamento apresenta dois tipos distintos de orações, a  individual e a coletiva. A oração individual está relacionada a nossa intimidade com Deus pessoal e secreta do crente e o Senhor (Mt 6.5-8; Lc 11.5-13). A oração coletiva é aquela oração que todo o povo faz (Mt 18.19,20). Esse último tipo de oração promove união, confraternização e comunhão. Era o tipo de oração exercitada nas casas do crentes primitivos quando ainda não tinham templos próprios (At 2.42,46; 4.23; 5.42).

    e) As contribuições na adoração cristã . A entrega dos dízimos e ofertas faz parte da adoração cristã (Sl 96.8). O texto de 1 Co 16.1-4 contém os princípios e bênçãos dos que contribuem para a obra de Deus. 

    CONCLUSÃO

    O homem foi criado para a glória de Deus, o qual deseja e espera receber o devido louvor de sua criação (Is 43.7). A adoração do crente deve ser direcionada única e exclusivamente a Deus (Mt 4.10), pois nas Escrituras encontramos as principais razões para assim procedermos, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos “(At 17.28). 

    Fonte: www.cpad.com.br

     

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    O louvor que chega ao trono da graça - Dr. Caramuru Afonso

    By Editor | Maio 20, 2008

    O verdadeiro e genuíno louvor a Deus é o fruto dos lábios que confessam o Seu nome.

    INTRODUÇÃO

     

    - Na seqüência do estudo das disciplinas da vida cristã, estudaremos o louvor, um dos elementos de se que se compõe o culto a Deus e que, por sua proeminência, merece um tratamento distinto.

    - Embora a ênfase dada pelo ilustre comentarista tenha sido sobre a música, é importante observarmos que a música é apenas um dos aspectos do louvor, que é entendido nas Escrituras como “o fruto dos lábios que confessam o nome do Senhor” (Hb.13:15).

    - Neste esboço, praticamente nosso trabalho será simplesmente de compilação de uma série de estudos que têm sido feitos pelo coordenador do Portal Escola Dominical, irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu, que é músico.

    I - O QUE É LOUVOR

    - Louvor, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “celebração ou manifestação honrosa; reconhecimento de distinção; homenagem, honraria”; “enaltecimento dos méritos de (alguém); apologia, elogio”; “demonstração de gratidão; agradecimento”.

    - Na Versão Almeida Revista e Corrigida, “louvor” surge, pela vez primeira, no plural, em Ex.15:11, no cântico de Moisés, quando é dito que o Senhor é “terrível em louvores”, tendo-se aí a palavra hebraica “tehillah” (????), que vem da raiz “h?lal”, cujo significado, segundo T.C. Mitchell, colaborador do Novo Dicionário da Bíblia, é “algo como fazer ruído”, o que já associa o louvor com a música, o que não é de se estranhar pois a primeira manifestação que se tem, nas Escrituras, de gratidão e homenagem a Deus é acompanhada de som, que foi a manifestação dos anjos ante a criação do mundo (Jó 38:7).

    - A segunda aparição de “louvor” encontra-se em Lv.7:12, quando se está a falar a respeito dos sacrifícios pacíficos ou ofertas pacíficas, quando se tem a palavra “todah” (????), cujo significado é “gratidão”, “ação de graças”, que tem a raiz “yãdhâ”, cujo significado, segundo T.C. Mitchell, é “ações ou gestos que acompanham o louvor”.

    - Vemos, aliás, já nesta passagem bíblica, que o louvor é considerado, nas Escrituras, como um sacrifício e sacrifício é “oferenda ritual a Deus que se caracteriza pela imolação real ou simbólica de uma vítima ou pela entrega da coisa ofertada”, é o um ato que torna algo sagrado, um meio de se aproximar e se tornar favorável a Deus. O louvor é um sacrifício, ainda que seja um sacrifício pacífico, ou seja, não é um sacrifício que se faz por causa do pecado, não é um ato em que se busca o perdão divino, mas um ato em que se apresenta a Deus grato, agradecido, em que se reconhece a soberania e o amor divinos. Por mais de uma vez, fala-se em “sacrifícios de louvores” (Lv.7:12,13,15; 22:29; Am.4:5) ou “sacríficio de louvor” (Sl.50:14, 23), que é associado, em nossa atual dispensação, ao “fruto dos lábios que confessam o nome de Deus” (Hb.13:15).

    - Vemos, portanto, que o louvor é um ato pelo qual a pessoa, em paz com Deus, apresenta-se diante dEle para agradecer ao Senhor a sua condição espiritual, a comunhão que tem com o Senhor. O louvor é um sacrifício de paz, ou seja, é um ato, um gesto em que a pessoa humana agradece a Deus porque está com comunhão com Ele, ou seja, não está separado do Senhor por causa do pecado, pois foi justificado na pessoa de Jesus Cristo (Rm.5:1).

    - Ser um sacrifício de paz significa, portanto, que o louvor é todo e qualquer ato em que o homem perdoado dos seus pecados vem agradecer a Deus pela sua condição de servo de Deus e isto se dá não apenas pelo entoar de cânticos, hinos e salmos, através da música, mas, principalmente, através da própria vida. Quando o escritor aos hebreus nos diz que o sacrifício de louvor é o “fruto dos lábios que confessam o Seu nome”, está a mostrar que tudo aquilo que fazemos e que confessa que Deus é o nosso Senhor é um ato de louvor a Deus.

    - Ser o “fruto dos lábios” não é apenas o cântico, o salmo ou o hino que saia de nossa boca, mas tudo aquilo que não só de nossa boca, mas que se exterioriza em nosso corpo. Como bem ensinou o Senhor Jesus, a boca apenas revela o que está em nosso coração, ou seja, o homem exterior revela aquilo que existe no homem interior e, por isso, o que contamina o homem é o que está dentro, não o que vem de fora (Mt.15:11-20). O louvor é a conseqüência, o resultado de uma transformação interna, operada no homem interior (alma e espírito), o resultado de alguém que tem prazer na lei de Deus (Rm.7:22), que é corroborado com poder pelo Espírito Santo (Ef.3:16).

    - A oferta pacífica, na lei de Moisés, era apresentada sempre com bolos e coscorões (bolinhos doces de massa fina) asmos amassados com azeite e que eram fritos (Lv.7:12). Isto nos mostra que todo louvor exige, em primeiro lugar, que haja santidade. O fato de estes bolos e coscorões serem asmos, ou seja, sem fermento, representam que o louvor não pode ser aceito se não for santo, ou seja, se não estiver livre de toda malícia, de toda hipocrisia, de todo engano. Os asmos simbolizam a sinceridade, a verdade (I Co.5:8), são símbolo do próprio Jesus, que é a verdade (Jo.14:6), bem como a própria Palavra de Deus, que é a verdade (Jo.17:17).

    - Por isso, não há como louvarmos a Deus senão estivermos em santidade, se não estivermos cumprindo a Palavra de Deus. Não há como se louvar a Deus misturando-se com o mundo, com o “fermento velho”, visto que somos “nova massa” (I Co.5:7). O louvor a Deus sempre se apresenta como um ato diferente, distinto daquele que é praticado pelo mundo, algo que provém de um coração transformado, que não tem mais tudo aquilo que contamina o homem. Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo diz que o louvor provém de Deus (Rm.2:29), porque é o resultado de uma transformação operada pelo próprio Deus no coração do homem, que se exterioriza através de atos, gestos que dignificam o nome do Senhor.

    - Mas, além de asmos, os bolos e coscorões deveriam ser fritos no azeite(Lv.7:12), ou seja, era necessário que os bolos e coscorões fossem envolvidos pelo azeite, aquecidos e impregnados do azeite. O louvor deve ser dirigido e orientado pelo Espírito Santo. Por isso, o louvor deve ser espiritual, não carnal. O louvor é resultado de uma unção do Santo, não de uma emoção. Fazer atos e gestos para agradar a carne, para satisfazer o ego, para ter emoções não é louvar a Deus, mas, sim, quando se canta e salmodia no coração, por uma operação do Espírito Santo, sem carnalidade, sem sensualismo, temos o verdadeiro e genuíno louvor (Ef.5:19; Cl.3:16).

    - Em seguida, o sacrifício pacífico era oferecido e, ao lado dos bolos e coscorões asmos e fritos no azeite, também era oferecido pão levedado. Mas como explicar aqui a presença de pão com fermento, já que dissemos há pouco, que o fato de os bolos e coscorões serem asmos, sem fermento, era um sinal de que se estaria em santidade? Não é o fermento símbolo do mal?

    - O pão levedado aqui representa, como na oferta do dia de Pentecostes, o reconhecimento de que Deus é o provedor de todas as coisas, o responsável pela nossa existência e sobrevivência. O fermento representa aqui que Deus tem sustentado a todos e, por isso, devemos ser-Lhe gratos. É uma demonstração da soberania, fidelidade e misericórdia de Deus para com o homem.

    - O louvor é dirigido a Deus, é um gesto de gratidão e de reconhecimento do bem que Deus nos tem feito. Por isso, a palavra “louvor” no singular surge, pela vez primeira, na Versão Almeida Revista e Corrigida, em Dt.10:21, quando diz que o nosso louvor é o próprio Deus, onde se vê, uma vez mais, a palavra “tehilah”, de que já falamos supra. Deus é o nosso louvor, porque louvor é um ato de reconhecimento dEle, que provém dEle e deve ser dirigido a Ele. Deus deve ser louvado porque, como diz Moisés no texto mencionado, fez-nos grandes e terríveis coisas que os nossos olhos têm visto.

    - Se o louvor é o próprio Deus, dEle provém e é dirigido a Ele, vemos que não pode haver genuíno e verdadeiro louvor que não seja santo, espiritual e que não esteja baseado na Palavra, que é a Verdade, a revelação do próprio Deus ao homem. Isto, desde já, nos mostra como muito do que se denomina de “louvor” em muitos lugares hoje em dia assim não pode ser considerado.

    - Mas é interessante observar que, na lei de Moisés, o sacrifício pacífico não podia ser comido senão no dia de sua oferta (Lv.7:15), ou, então, se fosse fruto de um voto ou oferta voluntária, no máximo até o dia seguinte (Lv.7:16). Não se podia comia sacrifício de terceiro dia (Lv.7:18). Isto nos mostra que o louvor deve ser sempre “novo”, ou seja, não é aceito o louvor do passado, aquele ato que ficou para trás. Exige-se que o louvor seja contínuo, feito a cada manhã, a cada dia. O louvor não é feito com a memória, mas, sim, com novos atos, novas atitudes. Por isso, vemos sempre o louvor associado à continuidade, ao novo (Sl.33:3; 40:3; 96:1; 98:1; 144:9; 149:1; Is.42:10; Ap. 5:9; 14:3), porque o louvor é proveniente de Deus que é eterno, que está além do tempo.

    - A novidade do louvor nada tem que ver com a “inovação tecnológica”, com as “inovações de ritmo” ou os “modernismos” que temos visto nos dias de hoje. A novidade do cântico, como nos mostram os textos referenciados, tem a ver com a nova natureza do homem, obtida mediante o perdão dos seus pecados na pessoa de Jesus Cristo. O louvor é novo porque provém de uma “nova criatura”, de uma “nova massa”, de alguém que abandonou a malícia, o pecado e o mundo, ou seja, que deixou o “fermento velho”. O “novo cântico” é aquele que resulta de se ter firmado os pés na rocha, que é Cristo, é o fruto da obra de Jesus no Calvário, é uma expressão da santidade do Senhor que passou a habitar no ser daquele que louva. Quem não tem esta novidade de vida (Rm.6:4), seu louvor é abominável a Deus, tal pessoa será extirpada do meio do Seu povo (Lv.7:20,21).

    OBS: É incrível o que acontece na prática destes músicos e regentes, que dizem que a Harpa Cristã já era, que dizem ter de sempre buscar coisas novas. Já perceberam como eles são chatos! Visitamos muitas congregações e constatamos que sempre se toca ou se cantam as mesmas coisas. Passam-se os anos e o disco/cd não muda. Músicas chatas, letras mais chatas ainda, onde um compositor copia a idéia do outro, verdadeiras ladainhas evangélicas. Se não é isto, são as músicas ufanistas. São apenas para lavagem cerebral. Tem um monte delas! Inovar não é o problema, mas a questão se põe quando em muitas igrejas esta se substituindo o ouro, por prata, ou por papelão….Isto não é novo, os antigos já o fizeram como podemos ler em Jr. 2:13.

    - Infelizmente, em nossa geração consumista, instantânea e internética, que cultua a “imagem”, que “clama” novidades o tempo todo (Ron Kenoly e Graham Kendrick já são vistos como ultrapassados, imaginem só!), não buscamos os caminhos de simplicidade na adoração conforme ensinado por Jesus. Ele que nunca se iludiu ou Se iludirá com manifestações e aparências externas na forma de religiosidade (Is.1) ou de eventos megalomaníacos para a mídia. Como aprendemos com o príncipe dos pregadores do século XIX, Charles Spurgeon, quem clama por novidades a todo tempo são bodes e não, ovelhas.

    - Em o Novo Testamento, a palavra “louvor”, na Versão Almeida Revista e Corrigida, surge, pela vez primeira, em Mt.21:16, mencionada pelo próprio Jesus, que, ao ser louvado por meninos por ter purificado o templo, citou o Sl.8:2, dizendo que da boca dos meninos e das criancinhas de peito vinha o perfeito louvor. “Louvor” aqui é a palavra grega “ainos” (?????), cujo significado é “homenagem”, “honraria”. É uma derivação desta mesma palavra, “epainos” que encontramos em outros textos como Rm.2:29, 13:3; I Co.4:5; II Co.8:18; Ef.1:6,12.14; Fp.1:11; 4:8, I Pe.1:7; 2:14, sendo que, em Hb.13:15, temos outra palavra derivada, desta feita “ainesis”. Em Ap.7:12, a palavra “louvor” é traduzida por “eulogia” (???????), cujo significado, segundo T. C. Mitchell, é de “dizer bem”.

    OBS: No plural, “louvores” é tradução de “ainos” em Lc.18:43 e 19:37, sendo que, em Hb.2:12, a palavra “louvores” é, no original grego, “hymneo”, ou seja, cantar hinos, enquanto que, em Tg.5:13, “cantar louvores” é tradução de “psallo”, ou seja, cantar salmos, salmodiar.

    - Verificamos, portanto, que o louvor envolve todo e qualquer ato ou gesto da pessoa que, salva na pessoa de Jesus Cristo, agradece a Deus, honra o Seu nome, exterioriza a dignidade divina. Como já dissemos, este gesto é, desde a criação do mundo, antes mesmo do surgimento do homem, freqüentemente acompanhada da música, de sons, motivo pelo qual se associa a idéia de louvor à de música, embora não sejam a mesma coisa. De qualquer modo, como foi esta a ênfase dada ao comentarista, dediquemo-nos, pois, ao estudo do louvor na forma de música.

    - Antes, porém, entendamos algo sobre as estruturas musicais. “Música”, como se sabe, é “combinação harmoniosa e expressiva de sons”. Ora, Um som não soa sozinho. Ao tocarmos uma nota na flauta, por exemplo, vários sons soarão em conjunto que podemos estar ouvindo ou não (série harmônica), há sons que não podemos ouvir. Sons podem ser tocados simultaneamente em que cada combinação tem uma característica própria, estes conjuntos de sons expressam situações e sentimentos.

    - As composições musicais tem objetivos em sua comunicação de situações e sentimentos. Podemos expressar através da música tanto uma floresta, ou, p.ex, as 4 estações de Vivaldi como os quadros de uma exposição de Mussorguisky. Podemos fazer uma música para boêmios expressando a vida boemia com mulheres, vinho etc. Basta escolher uma estrutura musical adequada de intervalos e ritmos.É como uma construção. Cada construção tem uma finalidade específica: pode-se construir uma casa ou uma catedral! Uma composição tem uma ou mais “caras” que se apresenta a que veio (ler NC (1) no final do texto). Que tipo de construção o Senhor requer de nós como Seus servos?

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    O louvor que chega ao trono da graça - Pb. José Roberto

    By Editor | Maio 20, 2008

    Texto Áureo: Sl. 33.2,3 - Leitura Bíblica em Classe: Sl. 33.1-14

    Pb. José Roberto A. Barbosa jotaroberto@uol.com.br

    http://subsidioebd.blogspot.com/

    Objetivo: Estimular a composição de hinos e o louvor a Deus através de cânticos reconhecidamente espirituais e que reflitam as verdades bíblicas.
     

    INTRODUÇÃO


    Nos dias atuais, quando falamos em músicas evangélicas, poderíamos retratá-las aludindo ao título de uma das peças de William Shakespeare, não passam de “Muito barulho por nada”. Há muita cantoria, mas pouco louvor, muita produção musical, sem, no entanto, qualquer respaldo bíblico. Preocupado com essa triste realidade, e no anseio por mudanças, proporemos, na lição de hoje, uma reflexão a respeito do papel da música sacra na igreja, ressaltando os princípios bíblicos que devam nortear o louvor reconhecidamente espiritual.
    1. MÚSICA E LOUVOR
    A palavra “música” é de origem mitológica e diz respeito às canções entoadas às musas. Posteriormente, o termo passou a ser usado com sentido mais genérico, para se referir a qualquer combinação harmoniosa e expressiva de sons. Nos dias atuais, a acepção do que seja “música” envolve uma gama de elementos, dependo da situação na qual ela é executada. Por isso, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa define-a como “a arte de se exprimir, por meio de sons, seguindo regras variáveis conforme a época, a civilização, etc.”. É nesse sentido que é possível dizer que existe uma Música “Sacra”, isto é, uma expressividade musical baseada no sagrado, naquilo ou nAquele que é santo. Numa cosmovisão cristã, diríamos que a música sacra seria aquela que tem como objetivo central o louvor e a adoração a Deus. A música cristã tem como meta primordial o louvor, isto é, a celebração ao Senhor na beleza de Sua Santidade. Não podemos, contudo, pensar que o louvor restringe-se ao canto. Na verdade, podemos louvar a Deus por meio da oração, desde que, por meio dela, reconheçamos quem Deus realmente é. A associação do louvor com a música costuma ser tão recorrente que, na igreja, há uma tendência para reduzi-lo a essa.

    2. A MÚSICA NA BÍBLIA
    2.1 No Antigo Testamento
    O invenção dos instrumentos musicais, de acordo com o relato bíblico de Gn. 4.21, é atribuida a Jubal. Os hebreus, como todos os povos circunvizinhos, sempre estiveram voltados para a música. Podemos destacar alguns exemplos bíblicos dessas manifestações musicais: 1) na repreensão de Labão quando Jacó fugiu de sua casa (Gn. 31.27); 2) após a passagem triunfante do Mar Vermelho quando Moisés e os filhos de Israel cantaram em celebração ao livramento do Senhor (Ex. 15.1); 3) Os tempos de Samuel, Davi e Salomão foram áureos para a música, já que essa fazia parte do treinamento na escola dos profetas (I Sm. 10.5; 19.19-24; II Rs. 3.15; I Cr. 25.6), possibilitando o surgimento dos cantores profissionais (II Sm. 19.35; Ec. 2.8); 4) era no templo que os israelitas exercitavam a música com maior proeminência, usando intrumentos para o louvor e a adoração (II Sm. 6.5; I Cr. 15.1-16; 23.1-32; 5.1-26; I Cr. 25.1-6); 5) a música também ocupava lugar de destaque na vida privada do povo hebreu (Ec. 2.8; Am. 6.4-6; Is. 5.11,12; 24.8,9; Sl. 137.1; Jr. 48.33; Lc. 15.25).

    2.2 No Novo Testamento
    Jesus, na noite de sua paixão, conforme está registrado em Mt. 26.30, cantou um hino. Não sabemos, com precisão, que hino Jesus entoou, mas é bem provável que tenha sido um salmo. Afinal, o saltério - composto pelos salmos - sempre foi o hinário do povo judeu. Mais importante do que saber qual o salmo Jesus teria cantado é reconhecer que o Senhor deu, ao cântico, um lugar de destaque como parte da adoração. O apóstolo Paulo também ressalta o papel dos salmos e hinos na liturgia cristã (Ef. 5.19; Cl. 3.16). Mesmo na vida pessoal, Paulo e Silas nos apresentam o exemplo do que é possível Deus fazer quando Lhe tributamos através do cantico com sinceridade de coração (At. 16.25-31). O apóstolo Tiago recomenda que os momentos de felicidade são motivos para que venhamos a cantar hinos de louvores a Deus (Tg. 5.13). A partir do contexto do grego do Novo Testamento, é possível distinguir os significados de “salmos” (psalmos), “hinos” (hymnos) e “cânticos espirituais” (odais pneumáticos). Os “salmos” são geralmente acompanhados por instrumentos musicais, os “hinos” são louvores dirigidos diretamente a Deus, e os “cânticos espirituais” têm cunho mais geral, podendo ser direcionado ao público.
    3. AS MÚSICAS CRISTÃS
    A igreja cristã, ao longo de sua história, sempre teve bons músicos que contribuiram com suas composições para a adoração. Destacamos, entre eles, o nome Charles Wesley, irmão de John Wesley, cujos hinos cristãos se encontram nas antologias poéticas dada a sublimidade de seu estilo, beleza, e sobretudo, cultura bíblica. Os compositores dos hinos da Harpa Cristã também nos legaram hinos belíssimos. Emílio Conde e Paulo Leivas Macalão, entre outros, enchem os nossos cultos de alegria, transmitem verdades que se encontram exaradas nas páginas da Escritura. Suas experiências, ratificadas pelo conhecimento bíblico fundamentam suas produções musicais. A justificativa para hinos tão belos, que, infelizmente, são cada vez mais raros nas igrejas, se encontra na letra de um dos hinos da Harpa Crista de autoria de Frida Vingren: “Os mais belos hinos e poesias, foram escritos em tribulação, e do céu, as lindas melodias, se ouviram, na escuradão” (HC 126). Em sua vasta maioria, a geração atual de compositores não sabe o que é padecer por amor a Cristo, sequer têm o esmero de se dedicaram ao estudo bíblico a fim de encontrar no Livro Santo a inspiração para as suas letras. O resultado são melodias sensuais e letras antropocêntricas. A maioria dos hinos cantados nas igrejas atualmente objetiva apenas “animar” os crentes. Muitos deles centrados no “eu”, pautados em promessas carentes de fundamentação bíblica.
    CONCLUSÃO A Bíblia nos presenteia com alguns hinos que eram entoados na igreja cristã primitiva. Apontamos dois deles que se encontram em Rm. 11.33-36 e um outro em I Tm. 3.16. Esses cânticos se caractizam por sua cristocentricidade. Eles têm como objetivo mostrar a grandeza e a soberania de Cristo como Senhor e Salvador da humanidade. Que essas composições, e tudo o mais dito ao longo deste estudo, sirva de motivação para que os compositores cristãos e os líderes eclesiásticos, procurem valorizar mais o conteúdo dos hinos a serem cantados em nossas igrejas. E, ao mesmo tempo, lembrarem-se ainda que hinos são importantes na liturgia, mas não podem ocupar todo ou o maior tempo do culto. É preciso separar o momento sagrado da exposição da Palavra de Deus.
    BIBLIOGRAFIA JEREMIAH, D. O desejo do meu coração. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
    KLAUBER, M. O caminho do adorador. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

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    O louvor que chega ao trono da graça

    By Editor | Maio 20, 2008

    INTRODUÇÃO

    Além de teólogo, destacou-se Martinho Lutero como um dos maiores compositores da História da Igreja Cristã. Referindo-se à música, afirmou considerá-la a maravilhosa obra de Deus. Hoje, quando lhe ouvimos “Castelo Forte”, somos constrangidos a louvar ao Senhor por havê-lo inspirado a escrever uma das peças mais aclamadas da hinódia evangélica.
    Entoar louvores a Deus também faz parte das disciplinas da vida cristã. Aliás, o maior livro das Sagradas Escrituras é o de Salmos. Seus autores enaltecem sublime e altissonantemente o Deus que criou inclusive a música. Quer lhe cantando os atributos, quer lhe entoando as grandezas, deixam mui claro que não há Deus como o de Israel.
    Nós também possuímos um saltério. A Harpa Cristã, com os seus 640 hinos, como ressaltou certa feita o diretor executivo da CPAD, Ronaldo Rodrigues de Souza, canta as nossas doutrinas e declama o nosso credo.

    1 - 0 QUE É O CÂNTICO CONGREGACIONAL

    “O dom do homem é cantar”. Afiançou o reformador francês João Calvino. Como homem de igreja, sabia ele muito bem que, sem o cântico congregacional, o povo de Deus tende a definhar-se. Aliás, a boa música sacra sempre se fez notória nos avivamentos autenticamente espirituais. Neste tópico, entraremos a ver duas coisas: a música sacra e o cântico congregacional.
    O cântico congregacional integra a grade curricular das disciplinas da vida cristã. Se não exaltarmos santamente o Senhor, como haveremos de reconhecê-lo como o Senhor que, de fato, merece nossos mais exaltados louvores? O teólogo inglês Matthew Henry manifesta o amor que lhe ia na alma que, peregrina e ansiosa pela pátria celeste, buscava, continuamente, ao Todo-Poderoso: “Não tenha medo de repetir em demasia os louvores a Deus; todo o perigo está em expressá-lo insuficientemente”.

    1- A música sacra. É a arte que, dispondo das ciências musicais e acústicas, das cordas vocais e de instrumentos músicos, tem por objetivo primacial enaltecer a Deus através da harmonia, melodia e ritmo = (1 Cr 16.23; = Sl 96.1).
    Jubal foi o primeiro ser humano a interessar-se pela arte musical. Segundo filho de Lameque tornou-se ele conhecido como o pai de todos os que tocam harpa e flauta = (Gn 4.21).

    A arte musical, porém, não foi criada por Jubal; ele apenas a desenvolveu. Por conseguinte, a arte musical, como todas as demais ciências e fazeres humanos, é um dom divino. Martinho Lutero escreveu acerca desta dádiva celeste: “Aquele que não encontra (a grande e perfeita sabedoria de Deus), na maravilhosa obra da música, é realmente um tolo e não é digno de ser considerado homem”.

    2 - O cântico congregacional. É a participação de toda a congregação dos fiéis nos hinos em louvor ao Eterno Deus. O cântico congregacional teve início com o rei Davi, conforme podemos depreender da história do Filho de Jessé; atinge, porém, o auge no reinado de Salomão. O primeiro organizou os músicos e cantores em turnos e corais (1 Cr 23.1-26.32); o segundo sustentou-os, a fim de que o culto a Jeová fosse coroado de glória e divino resplendor = (2 Cr 5.12-14).

    3 - A beleza da poesia evangélica. Um dos maiores poetas brasileiros pertence à Assembléia de Deus. Joannyr de Oliveira tornou-se referência obrigatória, no campo das letras, por mostrar a singular beleza de nossa poesia que, quando musicada, transforma-se em hinos de preciosa melodia. Sempre zeloso pela santidade e perfeição de nossa hinódia, Joannyr muito combateu aos que, enamorados do mundo, buscavam contaminar “os mais belos hinos e poesias”.
    Quem pode negar a célica harmonia da poesia cristã?
    O escritor português Camilo Castelo Branco enaltece os cânticos que tiveram por inspiração o Evangelho de Cristo:
    “Se algum poeta irreligioso pudesse conciliar os desatinos da sua vida com as poesias cristãs, tal poeta, só enriquecer-se de estro, só por brilhar aos olhos da sociedade, só por engrinaldar-se das flores do gênio, deveria pedir ao Cristianismo todas as suas feições”.

    II - OS FUNDAMENTOS DA MÚSICA SACRA

    Amo a Harpa Cristã. Através dela, posso cantar as doutrinas das Sagradas Escrituras. Recito, por exemplo, ser a Bíblia o Livro do Senhor = (hino 259). Aprendo que todos devem adorar o Rei do Universo = (hino 124). Conscientizo-me de que foi na cruz que me garantiu o Senhor tão grande salvação = (hino 15). Alegro-me, proclamando as boas novas do Pentecostes = (hino 437). E consolo-me por saber que Jesus vem = (hino 300). Conclui-se, pois, que a verdadeira música sacra tem como fundamento, a inspirada, infalível, inerrante, soberana e completa Palavra de Deus.
    Os grandes músicos e poetas de Israel eram profetas. Há de se mencionar também Paulo e o próprio Cristo.
    1 - O preparo teológico dos músicos e compositores bíblicos. Autor do Salmo 90 foi Moisés o legislador dos hebreus e o maior profeta do Antigo Testamento (Dt 34.10). Quanto a Davi, considerado profeta do Senhor, compôs a maioria dos salmos (At 2.30).

    Já Salomão, seu filho, honrado pelo mesmo Deus como o mais sábio dos homens, além de compor os cantares, os provérbios e o Eclesiastes, deixou-nos um belíssimo salmo = (Sl 127; = Pv 1.1).
    Os cantores de Israel, teologicamente reflexivos, trataram dos temas mais complexos da existência humana e de nosso relacionamento com Deus.
    No Salmo 73, Asafe louva ao Senhor tratando de um dificílimo problema existencial: “Por que sofrem os justos?” Jeremias, por seu turno, inspirado pelo Espírito Santo, cantou as tristezas e desditas da Cidade Santa. E os poemas de Isaías e de Habacuque? O primeiro cantou os sofrimentos do Messias, retratando-lhe o ministério com vivas cores. Como não chorar ante o capítulo 53 de seu livro? Já o segundo mostra a alegria que deve acompanhar o servo de Deus nas adversidades e tribulações.

    2 - Qualificações de um músico verdadeiramente cristão. De um músico sacro exige-se não somente a arte, mas principalmente a correção doutrinária; ele é o teólogo que verseja o conhecimento bíblico. Com singular habilidade, harmoniza e ritma a verdadeira teologia. Aliás, parte da hinódia cristã foi composta por doutores nas Escrituras como Ambrósio, Martinho Lutero e Charles Wesley.

    Infelizmente, com o esfriamento do amor à Palavra de Deus, a música sacra é logo substituída por arremedos que enaltecem as heresias e exaltam sutilmente um século que jaz no maligno.
    Como pode haver música sacra sem o amor que consagramos ao Senhor Jesus? Neste ponto tão importante das disciplinas cristãs, que é o amor, João Calvino é grave e enérgico:
    O falar e o cantar se acompanham a oração, de nada valem diante de Deus e não lhe são de nenhum proveito, se não são fruto do amor e se não vêm do fundo do coração.

    Muito ao contrário, porém, causam ao Senhor grande indignação e provocam fortemente a sua ira, se só procedem da boca e dela saem, porque isso é abusar do seu sacratíssimo nome e zombar da sua majestade, como Ele o declara por intermédio do seu profeta, dizendo: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu, continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá.

    III - A MÚSICA NA HISTÓRIA DA IGREJA

    Se a música é um dom de Deus, por que não tributar-lhe essa dádiva para exaltar-lhe o nome e a grandeza infinita? A Igreja de Cristo, desde o seu nascedouro, compreendeu perfeitamente a função da música em sua liturgia. No culto, verdadeiramente cristão, duas coisas são imprescindíveis: a música e a exposição da Palavra de Deus.
    1 - O exemplo do próprio Cristo. Na noite de sua paixão, o Senhor Jesus cantou um hino, mostrando que, mesmo nos momentos mais difíceis e lutuosos, é possível entoar louvores ao Pai Celeste. Que hino era aquele? Provavelmente um dos salmos messiânicos de Davi. O Salmo 22? Embora não o saibamos, de uma coisa temos absoluta certeza. Jesus ensina-nos que a música, autenticamente sacra, faz parte de nossas disciplinas espirituais; por intermédio destas, edificamos o nosso caráter e fortalecemos a fé que nos foi confiada pelo Espírito Santo.

    2 - A doutrina litúrgica de Paulo. Algumas vezes, confundimos liturgia com formalismo. Entre ambos, contudo, há abismais diferenças. Liturgia é o culto público que prestamos a Deus; formalismo, o culto que, embora belo, é destituído de seu real valor. Voltemos ao Novo Testamento. Sua liturgia era mui singela; entretanto, carregada de significados.
    Quando nos reunimos, um tem salmo, outro apresenta cânticos espirituais e ainda outro, a doutrina cristã. E os dons espirituais? Este se manifesta em línguas estranhas; aquele as interpreta. Este traz a revelação; aquele a palavra da ciência. Este a cura divina; aquele as maravilhas. Eis uma reunião verdadeiramente pentecostal.
    Aliás, o apóstolo Paulo, à semelhança do Senhor Jesus, utilizava-se também, em suas devoções, da música sacra. Quando encarcerado em Filipos, de tal forma cantou juntamente com Silas, que o seu louvor a Deus veio a abalar os alicerces da prisão = (At 16.20-31).
    Tem você cantado ao Senhor?

    CONCLUSÃO

    É urgente voltarmos à música sacra. A Harpa Cristã possui 640 hinos. No entanto, quantos destes são cantados em nossos cultos? Dez? Vinte? Por outro lado, requer-se investimentos, a fim de que novos músicos sejam formados e passem a dedicar-se à hinódia cristã. Onde estão nossos instrumentos? Quebrados? Abandonados? Ou simplesmente nos salgueiros?
    Deus merece (e reivindica) uma música de excelência em nossos cultos. Excelente e bela. Como produzi-la? O poeta sagrado verseja: “Os mais belos hinos e poesias, / Foram escritos em tribulação, / E do céu, as lindas melodias,! Se ouviram, na escuridão. = (Harpa Cristã, 126)

    As Disciplinas da Vida Cristã
    Claudionor de Andrade
    1º- Edição 2008

    Fonte: http://rxisaias.blogspot.com/

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